O POTENCIAL DE CONSUMO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Tarcízio Teixeira Cardoso*

As pessoas com deficiência (PcDs) formam um público numeroso e de bom poder aquisitivo. Conforme o censo do IBGE mais recente (2010), há mais de 100 mil PcDs com renda entre R$ 1.500 e R$ 2.500 mensais em diferente regiões do Rio Grande do Sul. Um valor médio de R$ 200 milhões a cada mês. Perde quem não estiver atento a essa realidade.

A Região Metropolitana de Porto Alegre tem a maior fatia deste público que corresponde a quase 50% do total. Na capital, temos aproximadamente 20 mil com poder aquisitivo na faixa dos R$ 2.000.

São cerca de R$ 100 milhões circulando mensalmente na Região Metropolitana, saídos dos bolsos de PcDs. Em Caxias do Sul, há 8,5 mil pessoas com este padrão de disponibilidade financeira, sendo que 5 mil tem renda entre R$ 3.500 e R$ 7.000.

No Litoral Norte, cerca de 1.000 PcDs têm renda mensal média  de R$ 1.900 nas três maiores cidades da região. Porém, no verão o litoral torna-se polo de turismo e boa parte do dinheiro da população em geral é gasto ali.

Existem quatro grandes revistas dirigidas às PcDs no Brasil. Nestas, como na maioria, 60% são publicidade. Vendem-se automóveis (40% do volume de anúncios), adaptações automotivas, adaptações prediais, produtos com tecnologia assistiva e auxiliares de locomoção, entre outros. Pelo descaso da maioria dos fornecedores de produtos, bens e serviços, os setores vêm sendo monopolizados por algumas marcas e referências na área que perceberam o filão. O setor imobiliário ainda não percebe que, para adequar uma residência e automatizá-la, o custo é de, no máximo,  10%  a mais no CUB. E que se alcança até 30% a mais no valor final da venda.

O que para pessoas sem deficiência seriam itens de conforto em um carro, por exemplo, para PcDs são itens necessários. As escadas de um restaurante ou hotel, que até podem ser parte do design proposto pelo projeto, são um fator de obstrução ao acesso de pessoas com mobilidade reduzida. Em feiras ou eventos abertos ao público, as pavimentações de cascalho ou pedra brita moída são um desconvite aos usuários de cadeiras de rodas.

O cardápio em braile, o sanitário adaptado ou adequado no barzinho da orla é atrativo sem par para turistas com deficiência e, nesses espaços, consumistas por excelência. A rua gastronômica de determinada cidade serrana corretamente pavimentada e desobstruída é comentário nas rodas de conversa pelas PcDs. Casas noturnas acessíveis – o sonho das PcDs. Enfim, atrativos diferenciados são o que se precisa para atrair o dinheiro desse público que gasta, precisa e gosta de consumir como todo brasileiro, seja de qual estado for.

Comerciantes, hoteleiros e administradores públicos, reúnam-se e pensem nisto.  Nós estamos aqui para ajudar.

*Tarcízio Teixeira Cardoso
Gestor do IACESSU