NOVOS PARÂMETROS, NOVAS ATITUDES

Tarcízio Teixeira Cardoso*

Parafraseando Dra. Izabel Maior, avançou-se culturalmente em três décadas, com relação ao conceito que determina a autonomia das pessoas com deficiência (PcDs). Antes se esperava “consertar” as pessoas para que se adequassem ao meio, agora o meio deve ser “consertado” para receber a diversidade e, nesta, as PcDs. Os governos devem buscar soluções que contemplem todos os segmentos e, neles, todas as suas particularidades. Do discurso à prática existe um vale imenso e a ponte, para unir os dois lados, se chama recurso ou investimento. A ação torna-se parte mais que importante neste caminho, é o que transcende a vontade, é a imagem do pseudo-querer-fazer transformando-se em calçadas corretamente ordenadas e pavimentadas por exemplo, é a desorganização substituída por fiscalização.

Os executivos estaduais e municipais devem separar dinheiro para os curativos e ações perenes. Treinar equipes e criar equipamentos que deem conta de atender as necessidades desta parte da população. O controle social compreende o que é fazer para valer e apoia, por outro lado não se intimida em cobrar mais se necessário for. Esta cobrança não deve ser encarada como simples insatisfação ou atitude opositiva, deve ser sim, um alerta para as imperfeições e um indicador para tomada de decisões.

Vinte e quatro porcento da população brasileira tem algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida – segundo o IBGE, censo 2010 – são 45 milhões de brasileiros que fazem a diferença na produção, no turismo, no consumo de bens e produtos e que vão as urnas. Levam a experiência vivida do que é bom para si e do que os aproxima dos outros. Movimentam milhões de reais mensais, destes, boa parte chega aos cofres públicos na forma de tributos. Não atender esta parte da população com ações dirigidas pode significar estar abrindo mão de resultados políticos, institucionais e financeiros para os municípios e para governos.

Quem sair na frente estará garantindo visibilidade e cumprindo seu papel político e social, certamente irá ser reconhecido pelo segmento e movimento das PcDs. Percebe-se, portanto que acessibilidade e inclusão são bons negócios. Então vamos à prática, mãos a obra!

*Tarcízio Teixeira Cardoso
Gestor do IACESSU